2013/02/11

Passado o pesadelo, é hora de continuar...


Antes de tudo, começo este texto esclarecendo sobre a falta de posts no último mês. Foi exatamente um mês de ausência, impulsionada, primeiramente, pela preguiça e afazeres da faculdade, e depois pelo ocorrido em Santa Maria no último 27 de janeiro. Senti que nada que eu falasse aqui poderia ter relevância diante de tudo aquilo.

Mas para que isso não seja esquecido como um simples acidente, resolvi falar um pouco do que me chamou atenção, do que me fez mais triste e do que me ajudou a superar o baque inicial da tragédia na boate Kiss.

A dor vai passando aos poucos. As novas informações divulgadas nos noticiários não me fazem mais imaginar as cenas que as pessoas presenciaram naquela madrugada que transformou qualquer filme de terror em mero teatro infantil. Agora me sinto bem a ponto de analisar friamente alguns aspectos da semana que seguiu a tragédia.

O principal deles foi a naturalidade com que tratávamos do assunto com amigos e conhecidos. Tornou-se rara a pessoa que respondia "não" quando perguntada se algum amigo seu estava entre as vítimas do incêndio. Sei que parece imprudente tratar isso com naturalidade, mas é mais uma tentativa de trazer realismo a esse momento que foge do imaginável.

Passamos dias tentando entender o que aconteceu em nossa cidade. A dor de perder amigos, colegas e conhecidos teve como agravante as coisas estúpidas que vimos na internet. Acredito que todos que, como eu, foram atingidos diretamente por insultos, sofreram ainda mais por algo que não precisava estar acontecendo. Em vez de utilizar as ferramentas, como o facebook, em prol da ajuda aos feridos, às famílias desamparadas e às autoridades, muita gente viu nele um meio de mostrar a todos o quão é insensível e sem amor próprio, não vou citar exemplos aqui, até porque as autoridades já estão fazendo o que cabe a elas.

Passado o baque, é hora de se reerguer. Cada abraço de um amigo era um pensamento ruim a menos. Aliado à companhia dos amigos, outro fator importante para a recuperação dos sentidos foi manter a cabeça ocupada com coisas práticas. Participar do Protesto por Justiça e responder às pessoas que enviavam seu apoio através das redes sociais foram um dos escapes que diminuíram a dor naquele momento único na vida de todos.

Infelizmente, não pude dar esse abraço em todos os amigos. Uns porque ainda não encontrei, e um deles porque nunca mais poderei abraçar, a Allana. Todos que nos conhecem sabem que não eramos os melhores amigos, talvez eu não tenha entendido bem o seu jeito de ser. Só sei que fui colega dela por menos de um ano, mas nesse pouco tempo já percebi que ela tinha um futuro planejado, suas opiniões eram definidas sobre o ramo de jornalismo que queria seguir, e é isso que me deixa triste quando lembro que ela não estará no quadro de formatura da turma. Enfim, a vida segue.

Deixo-os com um vídeo que marcou todos que conheciam a Allana e viveram esse momento triste após o fatídico 27 de janeiro de 2013. O vídeo é a interpretação dela para a música "Encontre a Liberdade", da banda Planta e Raiz, música essa que foi escrita  pelo vocalista Zeider em homenagem ao nascimento de sua filha. O incrível é que a letra da música se encaixou perfeitamente ao momento, fazendo com que acreditemos que a morte se parece muito com a vida, o difícil é aprendermos a lidar com ela.



Confira a reportagem da TV Campus mostrando a homenagem do curso de Comunicação Social da UFSM aos colegas Allana e Émerson:




Um comentário:

  1. Ocupar a cabeça com outras coisas ajudou muitas pessoas a passar por tudo isso.
    Não sei se pra mim ainda não caiu a ficha ou eu coloquei na minha cabeça que eu deveria seguir em frente sem olhar para tras, sem me fazer de vitima, de qualquer outra coisa. Durante minha 'visita' ao hospital fiquei fora da area de cobertura, meus pais confiscaram celular, internet...ficava sabendo de algumas coisas pelos médicos, enfermeiras... Eles alegaram que tirar essas coisas de mim era a melhor forma, evitar mais dor...
    É dificil descrever tudo o que aconteceu, mesmo lembrando com detalhes (que eu gostaria de esquecer)é dificil colocar em palavras as cenas que vi...

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