2011/10/03

Cen&xemplo - O Senhor das Armas




“O Senhor das Armas” ou Lord of War é um drama/documentário de 2005, escrito e dirigido por Andrew Niccol e protagonizado por Nicolas Cage, além de nomes como Bridget Moynahan, Jared Leto e Eamonn Walker.

Como a tradução literal do filme diz, os conflitos armados no mundo são abastecidos pelo “Senhor da Guerra”, que não se trata necessariamente do protagonista da trama, mas sim de um dos líderes mundiais da época do filme. A produção de 2005 é até hoje o melhor exemplar de um dos novos gêneros do cinema, o documentário/drama, o famoso “docudrama”, no qual o diretor e também escritor, Andrew Niccol, aborda um problema de interesse mundial juntamente com uma história dramática, em forma de ficção.

O filme conta a história de um ucraniano que, juntamente com a família que fingia ser judia, se muda para uma pequena cidade de Nova Iorque. E cansado da vida pobre de comerciante, depois de presenciar um assassinato entre mafiosos, decide mudar de vida, e parte para o tráfico de armas. Ele se torna mais uma das muitas peças que movem o tráfico armamentista mundial.

O filme relata de forma bem clara tudo que há nos bastidores de um conflito. As negociações que ocorrem entre empresários das armas e chefes de estado ou líderes militares. Por isso ele teve grandes dificuldades de produção, já que é um roteiro que fala sobre armas, necessita obrigatoriamente que se fale dos Estados Unidos, na atualidade um dos maiores envolvidos no comércio de armas do mundo. As dificuldades estavam no financiamento das filmagens, obstáculo transposto quando investimentos africanos ajudaram na produção do documentário, entre eles: os Departamentos de Comércio, Indústria e Defesa da África do Sul.

Tal investimento africano se deve ao fato de que a trama se atém principalmente à relação de Yuri Orlov (Nicolas Cage), o Senhor da Guerra, com seu principal cliente, o presidente da Libéria, André Baptiste (Eamonn Walker). Expondo totalmente a realidade de alguns países africanos, onde os traficantes de armas ganham sua fortuna a cada conflito que se inicia, sejam internos ou externos. Como o protagonista diz, que prefere que nenhum de seus compradores invoque trégua, pois será a única forma de seu descenso nos negócios.

Acredita-se que Nicolas Cage interpreta, na verdade, Marc Rich, um bilionário que sonegava impostos na Crise do Irã, e que em 1983 fugiu dos Estados Unidos para evitar a repercussão, mas em 2001 Bill Clinton o aceita novamente na América, claro, com uma ajudinha de 100 milhões de dólares para os cófres ianques. Ao mesmo tempo em que Eamonn Walker pode ser na realidade, o ex-ditador Charles Taylor, que foi presidente da Libéria entre os anos de 1997 e 2003. O filme tem como planos de fundo alguns conflitos como: Guerra Civil da Libéria (1989-2003); Guerra Civil de Serra Leoa (1991-2002) e bombardeios à Beirute em 1983, na Guerra do Líbano.

Outra realidade trazida na produção é o contrabando bélico após o fim da Guerra Fria, em 1991. Yuri Orlov retorna à sua terra natal a fim de comprar o armamento russo que fora levado para a Ucrânia como estratégia. O armamento estava estocado nos hangares, mas com o fim da guerra os documentos pararam de chegar às bases ucranianas, facilitando os negócios entre os traficantes e os militares corruptos. E não apenas na Ucrânia, isso ocorrera também em países como a Hungria, Polônia, Bielorrússia e Bulgária.

Nas mãos do Senhor da Guerra as armas, que antes estavam estocadas nos hangares ucranianos, passaram a ser o combustível dos conflitos na África, e também, a mina de ouro de homens como Yuri Orlov. Sempre ao lado da trama fictícia estavam as mazelas sociais e políticas do continente africano, os conflitos políticos que dizimavam a população eram financiados pelo tráfico de armas. E também estatísticas sobre a qualidade de vida no continente, extremamente baixa devido aos conflitos políticos.

Ao final do filme o diretor dá uma indireta - das mais diretas possíveis - no governo de George W. Bush, um dos mais sangrentos da história dos Estados Unidos.  Yuri diz ao agente que o prendeu a frase que resume toda a moral que está implícita no filme:

“Eu faço negócios com um dos mais vis e sádicos homens que hoje se denominam líderes. Quando o maior traficante de armas do mundo é o seu patrão, o presidente dos Estados Unidos - que vende mais armas num dia do que eu vendo em um ano - algumas vezes é embaraçoso ter suas digitais impressas nas armas. Por isso ele precisa de free-lancers como eu para suprir forças militares que ele não pode ser visto suprindo.”

Com isso Andrew Niccol termina uma produção que abre os olhos do mundo para algo que todos sabem, mas que se detêm a falar por motivos políticos. Não são os traficantes de armas que movem as guerras, subentendesse nesse filme que o verdadeiro Senhor da Guerra é o ex-presidente americano George Bush. Podendo ser muito bem substituído por qualquer outro grande líder mundial, pois, os maiores fornecedores de armas do mundo são os Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China. Que ironicamente são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Joelison Freitas
Resenha feita para a disciplina de
Mundo Contemporâneo, Geografia - UFSM.







Conheça a Lomadee.







2 comentários:

  1. Eu assisti esse filme, é bom e bem forte...
    E...continua o mesmo filme nessa disciplina ou foi tu que escolheu?!hehehe

    ResponderExcluir
  2. hehe, continua, mas ela pediu pra gente escolher entre outros (os quais nao me lembro), mas o filme é bom mesmo.
    Usa até comédia pra fala dum assunto serio, gostei mesmo.

    ResponderExcluir