2011/04/04

Mas eu levo ou deixo os pato?


Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
"- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"


Essa pérola da literatura brasileira foi escrita pelo jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro, (ufa), isso mesmo, Ruy Barbosa. Foi desse texto que se originou o famoso ditado, que não passa de uma questão: "Tá, mas eu levo ou deixo os patos?". Que, pra quem ainda não conhece, é usada quando o receptor não entende a mensagem enviada pelo emissor, pela maneira culta que tal mensagem fora emitida.



4 comentários:

  1. Nossa... eu fui apresentada a esse texto no ensino médio... é muito bom..."ta, mas eu levo ou deixo os patos?"

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  2. Não conhecia o texto. Fabuloso!

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  3. Muito legal mesmo, curto, simples de ler, e ainda uma pitada de comédia.

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  4. Cara, muito bom, muito mesmo!!!!

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